Quarta, 05 de Agosto de 2020
   
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Parecido com Quem?

Pastoral

Conta-se que Leonardo da Vinci, quando estava pintando sua obra A Última Ceia, procurou por muito tempo um modelo para seu Cristo. Por fim, encontrou em uma das igrejas de Roma um simpático corista, um jovem com uma vida adorável chamado Pietro Bandinelli. Os anos se passaram e a pintura ainda estava inacabada. Todos os discípulos tinham sido retratados, menos Judas Iscariotes. Da Vinci, então, começou a procurar um homem cujo rosto fosse endurecido e distorcido pelo pecado. Finalmente, encontrou um mendigo nas ruas de Roma, com um rosto tão perverso que ele estremeceu quando o viu. Ele contratou o homem e pintou o rosto de Judas na tela. Quando ele estava prestes a dispensar o homem, disse-lhe: “Eu ainda não descobri o seu nome”. “Eu sou Pietro Bandinelli” — respondeu o mendigo — “Eu também posei para você como o seu modelo de Cristo”.

Não há certeza de que esse episódio é verdadeiro ou não. Mas a lição que ele traz não somente é verdadeira como é, também, verificável na experiência humana. Basta recordar dos sustos que costumamos tomar ao ver uma pessoa mudada — ou para melhor, ou para pior — devido a viradas que ocorrem na vida. Contudo, não são apenas as vicissitudes da vida as responsáveis por mudanças bruscas na condição dos homens. O modo como as pessoas se relacionam com Deus e com sua Palavra também faz com que o homem tenha uma condição sublime ou desfigurada em pelo menos dois sentidos.

Em primeiro lugar, dependendo que como o homem se coloque diante de Deus, pode haver uma grande diferença no caminho que se segue. Se um relacionamento com Deus, marcado pela limitação do desinteresse e da insubmissão, traz resultados na vida alheia, a vida pessoal também. Nesse caso, um ótimo exemplo é o de Demas. Ele é primeiro apontado como um companheiro de Lucas e do apóstolo Paulo: “Saúda-vos Lucas, o médico amado, e também Demas” (Cl 4.14). Isso, por si só, demonstra sua participação na obra liderada por Paulo, o que é confirmado com a afirmação de sua cooperação na pregação e divulgação do evangelho: “Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus cooperadores” (Fm 24). Imagine quanta gente foi beneficiada pela ação desse servo de Deus que vivia integrado ao ministério cristão!

Infelizmente, houve uma mudança brusca na vida de Demas e no seu relacionamento com Deus. Paulo diz dele: “Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica” (2Tm 2.4a). O apóstolo não diz o que ele foi fazer em Tessalônica, mas não é preciso. Sua motivação — o amor pelo presente século — indica que ele buscava aquilo que ambicionava no próprio mundo a fim de apetecer seu amor distanciado de Deus. Isso nos mostra que mesmo os mais úteis e dedicados servos podem abandonar a beleza do serviço cristão e se sujar com a feiura do mundo e do pecado.

Em segundo lugar, pode também haver uma grande diferença no que se inspira nos outros. Ao ordenar um procedimento que agisse como bom testemunho diante do mundo, Jesus diz: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.16). A obediência a essa ordem e a disposição de honrar a Deus fazem com que os crentes tenham vidas transformadas e diferentes a ponto de serem notadas pelas pessoas ao redor. Mas isso não é um fim em si mesmo. A intenção é produzir certo efeito nos observadores, inspirá-los a que “glorifiquem a vosso Pai que está nos céus”.

Sendo assim, colocar-se de modo obediente e reverente diante do Senhor e do seu ensino torna quem age assim alguém que assume uma forma bela de um bom servo e de quem reflete um pouco do caráter do seu Senhor (2Co 3.18). Por outro lado, resistir às ordens e ensinos bíblicos, mantendo conceitos que divergem tanto da vontade de Deus como do seu caráter, a triste e inevitável consequência é que as pessoas ao redor também são influenciadas a uma prática parecida, pelo que informa Pedro: “E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade” (2Pe 2.2). Impressionante ver como a mesma pessoa pode causar, dependendo do relacionamento que cultive com o Senhor, lucro ou prejuízo na causa do reino de Deus.

Essa é a razão pela qual os crentes passam por mudanças tão grandes em suas vidas. Diferente do que pensam ou dizem, eles não são forçados a um declínio do seu estilo de vida por causa de circunstâncias adversas, problemas de família, dificuldades financeiras ou vida atribulada, mas sim pelo relacionamento com Deus e com sua Palavra. Esfriar o interesse por servir, aprender e cultuar o Senhor tem a capacidade de transformar uma carreira formosa em uma existência destituída da beleza da comunhão com Deus e do brilho da luz de Cristo. Faz com que crentes comprometidos se tornem apenas uma lembrança em suas igrejas. Faz com que, em vez de brilhar a luz de Cristo, fique-se apagado em um campo nebuloso. Diante disso, cada um tem de se perguntar se quer ser mais parecido com Cristo ou com Judas.

Pr. Thomas Tronco

 

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