Quinta, 03 de Dezembro de 2020
   
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Se Não Pode Vencê-los, Junte-se a Eles

Pastoral

O início da igreja cristã, conforme nos contam os livros de história da igreja, foi marcado pela perseguição e martírio de crentes que não capitulavam diante das ameaças de morte por causa da sua fé. Essa perseguição tomou forma ao longo de todo o Império Romano quando o imperador Trajano (53-117) respondeu a uma carta de Plínio, o Moço (61-144), governador da Bitínia, que continha a pergunta sobre o que fazer com os cristãos, já que era impossível fazê-los frequentar os templos pagãos e comprar as carnes ali sacrificadas – na verdade, esses templos estavam praticamente abandonados. Trajano respondeu que os cristãos não deviam ser procurados e buscados como criminosos, mas, caso fossem acusados e trazidos aos magistrados, deviam ser mortos se eles se recusassem a adorar os deuses romanos. Assim, a perseguição que se desenhou no século 1, nos impérios de Nero (54-68) e de Domiciano (81-96), tomou forma definitiva e ampla no século seguinte.

Para surpresa das autoridades, as ameaças de morte não demoviam os cristãos da sua fé. Ao contrário, eles morriam de modo tão digno, defendendo e proclamando a fé em Jesus Cristo, que Tertuliano de Cartago (c.155-220) disse que “o sangue dos mártires é a semente da igreja”, explicando que, quanto mais cristãos eram mortos, mais gente se convertia. O que parecia ser uma dura investida do diabo contra a igreja, acabou se tornando uma alavanca do seu crescimento e maturação. Vale salientar que tais perseguições não foram exclusividade da Igreja Antiga. Ao longo da história, muitas perseguições abateram um sem-número de cristãos, como na época das inquisições, da reforma protestante e da revolução socialista. Ainda assim, a igreja sempre persistiu e cresceu, fazendo jus às palavras do nosso Mestre: “Edificarei a minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18b).

Parece-me que o diabo aprendeu essa lição. Suas mais duras investidas contra a igreja de Cristo acabaram por demonstrar o valor que ela tem, graças à atuação do Espírito Santo e à soberania do nosso Senhor. Desse modo, creio que o diabo e seus demônios decidiram abandonar seus postos no cadafalso que sacrificava os crentes – “cadafalso” era o lugar visível a todos, um tipo de palco ou tablado onde os condenados sofriam a pena capital. Em lugar disso, decidiram subir a outro tablado, mantendo o mesmo desejo de destruir o povo santo. Entretanto, longe de tal tablado ser um lugar indigno dos crentes, ele ocupa um lugar central no culto cristão: o “púlpito”.

O que quero dizer com isso é que Satanás, a fim de atingir a igreja verdadeira e abafar a doutrina cristã da salvação pela fé em Jesus, decidiu montar suas próprias igrejas e colocar nos seus púlpitos homens que servem aos seus desígnios e não aos de Deus. É como se dissesse: “Se não pode vencê-los, junte-se a eles”. Mas ele não o faz para somar, mas sim para dividir. Encheu o coração de homens que fundaram movimentos muito parecidos com igrejas cristãs: elas têm Bíblias, cantam corinhos, têm oração e praticam rituais que “parecem” ser cristãos. Entretanto, não pregam a mensagem da salvação de pecados pela fé em Cristo. Em lugar disso, Deus passa a ser somente um salvador de problemas temporais, alguém que, se conduzido por meio de ritos estranhos às Escrituras e de ofertas financeiras vultosas, salva seus “contratantes” de doenças, de problemas financeiros, de crises matrimoniais, de falta de emprego e de desarmonias na família.

Infelizmente, a verdade é que o diabo tem alcançado maior sucesso ocupando posições no púlpito que no cadafalso. Os resultados são que 1) a igreja verdadeira parece ser apenas um remanescente fiel em meio aos milhões de “evangélicos” contados nas estatísticas nacionais; 2) o nome de Cristo nunca foi tão associado a interesses espúrios de estelionatários como em nossos dias; 3) os crentes verdadeiros são tidos como pessoas desequilibradas e tolas que só existem para encher os bolsos de falsos pastores; 4) milhões de pessoas se fecham para a verdadeira mensagem do evangelho por acharem que, em suas falsas igrejas, já cumprem a vontade de Deus; 5) várias igrejas verdadeiras têm se deixado levar pelas “técnicas” da igreja do diabo e têm abandonado as bases que a definem como igreja santa de Cristo.

Isso é muito triste! Mais triste ainda é ver crentes de igrejas sérias considerando os ensinos mentirosos de estelionatários travestidos de religiosos. Para impedir que isso aconteça e que a igreja santa venha a ser maculada pelo engano diabólico, as Escrituras nos avisam que falsos mestres se levantariam com interesses gananciosos (2Pe 2.1-3), os quais serão posteriormente punidos (Jd 4), e que haveria gente que, por cobiça, seguiria suas mensagens pervertidas (2Tm 4.3,4), abandonando a Sã Doutrina e seguindo ensino de demônios (1Tm 4.1,2). Por outro lado, a Bíblia também nos ensina que a fé cristã deve se apoiar em Deus e em sua palavra revelada (Rm 1.16,17; 1Co 2.4,5), que devemos pregar a verdade em todo tempo (2Tm 4.1,2), que devemos ter cuidado com falsos servos de Deus (Mt 7.15) e que a verdadeira espiritualidade se mostra na submissão às instruções bíblicas (1Co 14.37).

Todas essas orientações são fundamentais para nos mantermos a salvo, longe da influência dos servos de Satanás e honrando o nosso Senhor que deu a vida por nós e nos salvou. No fim de tudo, é melhor cair do cadafalso que sucumbir ao falso púlpito.

Pr. Thomas Tronco

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