Sábado, 15 de Agosto de 2020
   
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Guerra e Missão

Pastoral

Está em cartaz nos cinemas o filme intitulado 1917. A multipremiada película retrata a história de dois soldados ingleses que, durante a Primeira Guerra Mundial, receberam a missão de levar a um destacamento do exército inglês a ordem escrita do general de batalha para que não empreendessem ataque contra o exército alemão, pois cairiam em uma armadilha. O sucesso dessa missão salvaria a vida de, aproximadamente, 1.600 militares ingleses.

Baseado em fatos reais, o enredo se desenvolve ao longo da jornada desses dois soldados que tinham uma missão a cumprir, mas alguns inimigos a enfrentar. O primeiro oponente era o tempo. A tarefa lhes fora entregue apenas um dia antes do ataque que o pelotão inglês havia planejado e deveria ser impedido. O segundo revés desse encargo era o percurso, pois somente atravessando o território alemão é que eles conseguiriam vencer o tempo e cumprir a tarefa com triunfo.

Na Bíblia, a analogia da guerra é constantemente utilizada para descrever a vida cristã e suas obrigações. Com efeito, o crente está em guerra desde o dia em que foi arregimentado e vive tão somente para cumprir a missão que lhe fora proposta (2Tm 2.4). Quando recebe sua patente de soldado de Cristo, o fiel descobre três inimigos contra os quais deverá lutar até o fim do combate: o mundo (Jo 17.14; Cl 2.8), a carne (Gl 5.17; Tg 4.1) e o diabo (Ef 6.11; 1Pe 5.8). Esses três adversários revelam os campos de batalha em que o cristão travará a guerra enquanto viver.

O mundo demonstra que o primeiro campo de batalha experimentado pelo crente é o ideológico. O sistema de ideias, crenças e pensamentos contrários a Deus milita diariamente com o fim de ganhar os hábitos, costumes e convicções do cristão. O homossexualismo, a ideologia de gênero, o humanismo, a evolução darwiniana e a descaracterização da família são exemplos desse sistema que guerreia com todas as forças para extirpar da história o que Deus estabeleceu e forçar todos a viverem em um mundo sem o Criador.

A missão do soldado, nesse campo, é simples: levar cativo todo pensamento à obediência a Cristo (2Co 10.5), sobretudo, seus próprios pensamentos, renovando-os para experimentar a boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Rm 12.2). Na batalha ideológica, o cristão deve se posicionar com fundamentos bíblicos inabaláveis, capazes de responder a qualquer que peça a razão de nossa esperança (1Pe 3.15) e fazendo calar os que distorcem a Escritura e ensinam o que não devem (Tt 1.11).

O segundo campo de batalha a ser enfrentado é o físico. A mortificação da carne e o controle sobre seus próprios impulsos pecaminosos é uma peleja intensa na experiência do soldado (Rm 13.14; Gl 5.16), a ponto de levá-lo a guerrear contra a própria vontade, almejando fazer o bem, mas sendo impedido por sua natureza pecaminosa (Rm 7.17-19).

A ordem a ser cumprida, nesse campo, é igualmente frugal: glorificar a Deus com o corpo, mantendo-o sob controle do Espírito (Rm 6.12; 1Co 6.19-20; Ef 6.16-17). Em um mundo predominantemente hedonista e sexista, o crente que esmurra seu próprio corpo e o reduz à escravidão torna-se qualificado a receber a coroa incorruptível (1Co 9.25,27).

Por fim, o cristão deverá atravessar o terceiro campo de batalha, o espiritual, para encerrar sua missão. Infelizmente, o materialismo gerou cristãos céticos que ignoram o poder do sobrenatural nos assuntos desta vida. Com vocabulário predominantemente militar, o apóstolo Paulo declara que nossa luta é contra demônios e as forças espirituais do mal, nas regiões celestes (Ef 6.12). O diabo é o maioral nesse campo e procura, ferozmente, nos dominar e impedir que nos desincumbamos de nossas responsabilidades (1Pe 5.8).

Os deveres espirituais do crente são diversos, mas vale notar aqueles que têm eficácia direta contra o inimigo de nossas almas. Na contenda espiritual, a submissão ao poder do General é imprescindível (Tg 4.7; 1Pe 5.6). Além disso, uma vida livre de pecados e uma consciência com pecados confessados (Tg 4.6,8; 1Pe 5.5,7) não permitirão que o diabo e seus anjos tomem o cristão por refém e o despojem da alegria da salvação.

Caso a missão narrada em 1917 fosse cumprida (não vou dar spoilers), restaria para aqueles dois soldados o senso de dever cumprido diante da fidelidade ao exército e resiliência diante das adversidades. Para o crente, além da satisfação de cumprimento dos encargos e persistência diante das tribulações (2Tm 4.7), resta prometida, ainda, uma herança que não provém de espólios de guerra, mas dos tesouros da graça do próprio General (1Pe 1.4; 5.4).

Pr. Isaac Pereira


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