Quinta, 13 de Agosto de 2020
   
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O Que É Avivamento?

Pastoral

Fizeram-me, recentemente, essa pergunta em virtude de um grande evento “gospel” ocorrido há alguns dias. No tal evento, estádios foram lotados e, segundo dizem, teve de tudo: desde ensino neopentecostal até pregação de pastor reformado, passando por celebrações de curas e milagres, emocionantes “conversões” em massa e shows de música evangélica do tipinho que a gente já conhece muito bem.

Os tais estádios foram, assim, palcos das sandices que acontecem no meio evangélico em geral. Nada que nos surpreenda. Exceto, talvez, a participação de nomes que representam o calvinismo. Isso realmente assustou, pois esse tipo de envolvimento, até onde posso ver, transmite uma ideia ruim acerca da boa teologia. De fato, quando um pastor calvinista sobe no palanque com hereges de quinta categoria, ele não transmite apenas a ideia piegas de união. Ele transmite também a noção de que as diferenças teológicas entre os reformados e os deformados são de pouca importância — meras questões de opinião que não temos que levar muito a sério.

Bom, deixando isso de lado, vamos voltar à nossa intrigante pergunta: O que é avivamento? Segundo parece, quando hoje usam a palavra “avivamento”, as pessoas pensam num período dourado em que a igreja é tomada de grande vigor espiritual e, então, avança corajosa sobre as cidades em meio a arroubos de fervor, cânticos arrebatadores, milagres grandiosos, ajuntamentos imensos e pregações poderosas que redundam em milhares e milhares de conversões.

Será, no entanto, que a Bíblia ensina os crentes a nutrir esse tipo de expectativa? Acaso os apóstolos estimularam a busca desse alvo nas igrejas que fundaram? E quanto às epístolas? Será que seus autores ordenaram os crentes a orar por movimentos assim ou mesmo promovê-los?

Pra início de conversa, é bom que se diga que a palavra “avivamento” não existe na Bíblia. Até aí, sem problemas. A palavra “Trindade” também não existe nas Escrituras e, no entanto, expressa um conceito bíblico. O que, porém, intriga no uso do termo “avivamento” é que no NT não existe nem essa palavra, nem o conceito que os crentes de hoje atribuem a ela.

De fato, se avivamento é “um período dourado em que a igreja é tomada de grande vigor espiritual e, então, avança corajosa sobre as cidades em meio a arroubos de fervor, cânticos arrebatadores, milagres grandiosos, ajuntamentos imensos e pregações poderosas que redundam em milhares e milhares de conversões”, então temos muito pouco (ou, talvez, nada) sobre o assunto nos escritos sagrados. Pra ser bonzinho, talvez o mais próximo a que chegamos disso do NT seja a fase de surgimento da igreja, quando Jerusalém viu um grupo de 120 discípulos de Jesus se transformar em uma multidão de cerca de cinco mil pessoas, depois de apenas duas pregações de Pedro. Passado esse período, temos alguns momentos, narrados em Atos, em que grupos expressivos se convertem ouvindo a mensagem apostólica, mas nada disso chega perto do sentido da palavra “avivamento”, conforme definida acima.

Igualmente as epístolas, até onde a memória me ajuda, não falam sobre essas coisas. Na verdade, parece que, mesmo anelando um número grande de convertidos, os apóstolos não se preocupavam em protagonizar um avivamento nos moldes criados atualmente, concentrando-se, em vez disso, apenas em pregar o evangelho, doutrinar os crentes e corrigir as igrejas.  

Quanto a avivamentos em estádios, a Bíblia só menciona um. Foi o “avivamento” pagão que agitou a cidade de Éfeso, quando a multidão incrédula lotou um imenso teatro, gritando por quase duas horas: “Grande é a Diana dos Efésios!” (At 19.28-34).

Por causa disso tudo, eu não acredito em avivamentos marcados por megaeventos gospel. E acredito muito menos em avivamentos com megaeventos como esses que fizeram recentemente, tão cheio de falsos mestres e de bobagens sem fundamento.

De minha parte, se tivesse de atribuir algum sentido verdadeiro à palavra “avivamento”, eu diria, com a Bíblia em punho, que avivamento deveria ser definido como um despertar da igreja local para a vida de santidade (Ap 3.15-20), para a promoção do Reino e da sã doutrina (1Pe 2.9) e para o serviço que visa a edificação do corpo (Ef 4.13-16). Olhando para a Bíblia, não vejo qualquer forma diferente de avivamento. Pra ser sincero, creio que quando os evangélicos inventam outros conceitos, correm o risco de um dia ouvir do Senhor: “Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto” (Ap 3.1).

Pr. Marcos Granconato

Soli Deo gloria

 

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