Domingo, 09 de Agosto de 2020
   
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Não Tem Graça

Pastoral

Com o constante e teimoso barateamento do evangelho, muita gente indecente espalhada por aí anda dizendo que é crente. Homens e mulheres de boca suja, praticantes de atos imorais e obscenos, pessoas desequilibradas e mundanas estão entre aqueles que agora afirmam ser “evangélicos”. Segundo os padrões pregados por aí, tudo isso é aceitável e deve ser relevado, pois, de acordo com o que dizem, nós estamos na “era da graça”, podendo o nosso cristianismo ser mais “livre, leve e solto”. Aliás, afirmar o contrário é pedir pra ser considerado fundamentalista radical, um tipo legalista que deve ser silenciado com a ordem “não julgueis para que não sejais julgados” (observação: se essa ordem tivesse mesmo a intenção de censurar quem denuncia os desvios da igreja, Paulo e os demais escritores do NT seriam os maiores alvos dela!).

Ouvindo todos esses discursos, com uma coisa eu concordo: estamos na era da graça. Isso, porém, tem um sentido muito diferente do que aquele que adotam por aí. De fato, em vez de significar que podemos viver como porcos no chiqueiro, significa que o tempo presente faz parte da época em que a graça de Deus em Cristo finalmente se manifestou. Sim, o mistério gracioso que permaneceu oculto das pessoas de outras eras agora está aí, acessível aos homens de todas as nações e classes (Jo 1.17; Rm 16.25-26; Ef 3.2-9; Cl 1.26-27; Tt 2.11).

Isso é o que deveria vir à mente das pessoas quando dizemos que estamos na era da graça. E tem mais: para que ninguém acredite que mesmo isso nos dá licença para viver na pocilga, é preciso entender como essa graça manifesta opera. Será que ela é mesmo uma graça licenciosa que diz que “liberou geral”? Bem, os evangélicos moderninhos que me desculpem, mas a graça não é assim não. Veja no texto abaixo o que a verdadeira graça faz:

Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras (Tt 2.11-14).

Antes que alguém faça mais confusão, cabe uma ressalva aqui: quando Paulo afirma que “a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens”, ele não quer dizer que todos os homens são salvos, mas sim que o Deus que antes se manifestara aos judeus agora se manifesta também aos gentios. Além disso, Paulo também quis dar uma alfinetada nos mestres do protognosticismo que diziam que a verdade salvadora era secreta, sendo revelada somente a uma minoria privilegiada. Foi pra chutar fora essas bobagens que Paulo disse que a graça se manifestou universalmente.

Agora, voltando ao assunto: ao ler o texto, dá pra perceber o que a graça faz? Eu grifei pra ficar mais fácil descobrir. Sim. A graça educa! Ela ensina todos aqueles a quem alcança. Paulo personifica a graça nesse texto para transformá-la numa professora. E o que essa professora ensina? Ele ensina os crentes (e não todo mundo. Observe o “nos”) a renegar (ou abandonar) a impiedade, ou seja, a vida que despreza Deus e sua Palavra. Ela também educa os crentes para que eles aprendam a dizer não para as paixões mundanas que são os desejos que se harmonizam com os padrões corruptos da sociedade que nos cerca.

Além de ensinar o que se deve abandonar, a graça também ensina o que se deve abraçar. Em meio a toda bandalheira que caracteriza o “presente século”, ela nos induz a viver de modo sensato (ou com autocontrole), justo (isto é, com um comportamento moral aceitável) e piedoso (ou reverente — um modo de vida marcado por devoção). A graça vai além e ainda nos ensina a viver na expectativa da vinda do Senhor que nos remiu e nos separou para sermos o seu povo santo, marcado pela prática do bem.

É isso. Estamos sim na “era da graça”. Disso não podemos ter dúvida alguma. A questão é se, nessa era tão privilegiada, os que se dizem crentes estão mesmo sob a influência dessa graça educadora. De fato, se a “graça” que os cristãos conhecem não os educa nos termos que Paulo apontou no texto acima, ela não é, de forma alguma, a graça bíblica ministrada por Deus ao seu povo. Ela é, isto sim, um conceito perverso, criado para justificar estilos sujos de vida — um subterfúgio para cobrir o que é feio com a capa de uma palavra bonita. Muita gente pode até gostar dessa perversão, mas, pra mim, isso é de doer. Pra mim isso não tem graça.

Pr. Marcos Granconato
Força e Fé
Soli Deo gloria

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